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Não dá para ser assim

Artigo publicado na Revista Estilo Off de Novembro/2011

“Tomei um tiro
No vidro do meu carro
É a pobreza
Tirando o seu sarro
Foi meu dinheiro,
Foi meu livro caro
Que façam bom proveito
Da grana que roubaram
Porque eu trabalho
E outro dinheiro eu vou ganhar”
Trecho da Música Notícias Populares de Ana Carolina

Minha vida social está repleta de convivências que me fazem sempre muito bem. Encontros, desencontros e junções fazem parte do meu emaranhado mundo de conhecidos e desconhecidos perpassados por toda minha vida há décadas.
Estar com amigos é uma dádiva momentânea pouco aproveitada por todos nós que estamos sempre muito atribulados com as tarefas do cotidiano e que na maioria das vezes só damos valor a isso quando já não podemos mais usufruir de tal benefício que Deus, com toda sua benevolência nos presenteia.
Numa bela noite de uma estação do ano qualquer, um amigo e eu resolvemos aproveitar a vida num ambiente clean de Itaperuna, tomando um bom vinho, degustando uma boa massa, jogando conversa fora e trocando olhares curiosos por tudo o que nos rodeava. Um prazer entre amigos! 
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas nossos lares nos esperavam, pois o amanhã seria outro dia de muita labuta, com muitos compromissos profissionais. Nem só de prazeres vive-se a vida, portanto, já era hora de partir.
A noite estava espetacular, o clima estava ameno, nem muito calor, nem muito frio, estrelas no céu e nós caminhávamos pelo calçadão de Itaperuna, jogando mais um pouco de conversa pelo ar.
Eis que num determinado momento percebemos que não estávamos sozinhos e logo vislumbramos as figuras simplórias de três indivíduos que aceleradamente impulsionavam suas passadas ao nosso encontro. 
Foi quando ecoou aos nossos ouvidos: “Esse cordão é de prata, playboy?” (sic.) Fato! Isso era um assalto. Continuamos nossa caminhada, após os “pivetes” terem desistido de ouvir minha fala psicologicamente enjoativa e contentarem-se com apenas um cordão de prata que fará muito mais falta para eles num futuro, do que para mim. Graças a Deus e ao meu trabalho, sempre há possibilidade de adquirir um bem material, quando assim eu desejar.
O ato foi aterrorizador, tendo em vista o sentimento de impotência que se tem nestas determinadas ações. Ficamos sem reação e como meu amigo disse num texto que ele escreveu posterior ao ocorrido, nossos corações estavam apressadamente num TUM TUM TUM incontrolável.
Mas no fim desta estória pitoresca, ainda consegui arrancar gargalhadas do meu amigo, dizendo: “Me senti a verdadeira Mulher Melancia, quando o pivete me chamou de playboy”.
A história parece pernóstica, e é mesmo. Mas o que está por detrás dela, com certeza não. Indiscutivelmente as mazelas sociais estão por toda parte. 
Ao comentar a história com alguns conhecidos, muitos disseram: “Mas você, com quase dois metros de altura, não fez nada?”. Eu pergunto: “Fazer o quê?” Na atualidade perde-se a vida por muito pouco. E foi-se o tempo em que a idade dizia que este ou aquele eram crianças inocentes, no significado real destas palavras.
Minha vida vale muito mais do que um cordão de prata. Entristece-me reconhecer que são adolescentes, sem perspectivas de uma vida tranqüila e permeada pela moral. Meninos que poderiam alavancar suas vidas de forma profissional e humana, e que sei lá porque optam por essa vida bandida.
Aí surge a indagação: Que educação familiar e escolar nossos adolescentes estão recebendo? Só passar no vestibular e entrar na Universidade, de nada adiantará se posteriormente este indivíduo não tiver nenhum respeito por outrem.
Num outro momento, tomo um coletivo e das quarenta e tantas vagas para passageiros irem sentados ao seu destino, dezesseis estão ocupadas por adolescentes saindo das escolas. De repente, entra no transporte uma mãe com uma criança pequena no colo e nenhum deles se quer teve o trabalho de olhar para a senhora e ceder-lhe o lugar. 
Vejo professores chorando pelos corredores por não terem como controlar determinado aluno na sala de aula e quando se chama a família para uma conversa os mesmos dizem: “Não sabemos o que fazer. Ele não nos respeita mais”.
Diariamente recebemos notícias de ações violentas praticadas por menores, e com isso reacende a discussão sobre a redução da maioridade penal. A questão é que sempre buscam um culpado. De um lado a sociedade que culpa o estado e de outro lado culpa a estrutura familiar.
Sempre assistimos a programas de televisão que falam sobre violência, e na maioria das vezes relacionada a menores infratores, seja através de roubos a mão armada, assassinatos e/ou estupros. Eles estão por toda parte. Enquanto isso ficamos a mercê destes que não se preocupam com a própria vida, quissá com a vida de outras pessoas.
Enganam-se quem pensa que este tipo de marginalização está atrelado somente às minorias. É possível verificar várias ações praticadas por adolescentes de classe média alta, o que comprova que o dinheiro está em segundo plano quando se trata de “marginalidade”.
A formação destes indivíduos é preocupante. Saber com quem andam, o que fazem, como fazem e porque fazem, contempla uma análise bio-psio-social, que bem apurada, pode possibilitar um processo de (re)educação social desses adolescentes.  
No fim, sabemos que agir é preciso, que a situação é um tanto complexa e que mudar predispõe tempo. 
Alguém ousa resolver à problemática?

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